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terça-feira, 29 de março de 2022

NOD133. Ataque no desfiladeiro


Trazemos hoje um conto assinado por Orlando Marques que nos relata a proeza de um homem que não hesitou em enfrentar uma tribo de Creeks em guerra apesar de se encontrar numa desproporção assinalável. Era a forma de ajudar os colonos instalados em Forte Preston cercados e sistematicamente a ser dizimados pelos terríveis guerreiros.

Assinale-se ainda neste conto a preocupação do herói em não martirizar mulheres e crianças que poderiam ser vítimas colaterais da sua luta de vida ou morte.

Esta história veio publicada nos fascículos do Mundo de Aventuras 497 a 502, apresentando em determinada altura uma gafe de atribuição a Jorge Magalhães. É ilustrada por cinco desenhos de autor não identificado que aqui reproduzimos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

CNT013. «Abutre Negro», o índio renegado

LARRY Jones ficou parado à porta do «saloon», com as mãos a segurarem os batentes. Quase abriu a boca de espanto e por duas vezes a seguir abriu e fechou os olhos, como se não acreditasse no que via.
Era possível existir no velho Oeste turbulento, cheio de perigos e traições, uma cidade cujos habitantes deixassem vazio o «saloon» por volta da meia-noite? Não! Aquilo era um sonho! Larry não podia estar acordado!
Tal facto era tão impossível como dez e dez serem dezassete Resolveu avançar e esclarecer a incógnita. A sala era grande, estava cheia de mesas, simetricamente arrumadas, e o balcão limpo, a brilhar, mostrava falta de uso. Os candeeiros, de luz forte, estavam acesos, a iluminar aquela atmosfera vazia de vida e calor. Por trás do balcão estava o taberneiro — o único homem presente — que abria a boca de aborrecimento.
Larry dirigiu-lhe a palavra:
— Oiça, amigo. Que aconteceu por aqui? A cidade está despovoada? Ou será que ninguém por cá gosta de beber?
Como resposta, o recém-chegado viu na cara do taberneiro, uma sombra de susto, e os olhos, de cansados que estavam, acenderam-se subitamente com essa luz que tão bem traduz o terror. Voltou-se, avisado pelo extinto e levou as mãos aos coldres.
Nesse momento, uma seta sibilou no espaço e veio 'cravar-se no balcão entre as suas pernas.
Larry fixou a porta. Primeiro, só avistou um braço, um arco e uma seta, depois os batentes permitiram a entrada a um corpo esguio, mas musculoso (o que se via pelos movimentos) — e o «cow-boy» contemplou um índio da tribo dos arangonis, de rosto cavado pelos piores sentimentos, e uns olhos onde brilhavam chamas de malvadez.
 — Quem és? — perguntou Larry.
— «Abutre Negro — respondeu o «pele-vermelha». — «Abutre Negro», que vem avisar-te para saíres imediatamente da cidade enquanto tens vida. Aqui, quem manda sou eu! Todos os «rostos-pálidos» estão sob as minhas ordens! Pela primeira vez, um índio manda nos usurpadores das terras de Manitu! — E levado por um entusiasmo, onde se notavam embrutecimento alcoólico e princípio de loucura, continuou: — Toda a cidade me teme. Ninguém sai à noite! As minhas setas e a minha espingarda têm calado os mais ousados! Rio-me das leis dos brancos e não vês como o «saloon» está vazio? Ah! Toda a bebida é para mim, sou o dono de tudo isto...
Larry Jones, sem se mexer uma polegada do sítio onde estava, com as mãos caídas sobre as coronhas das pistolas, observou melhor o índio e verificou que aquele homem era perigoso. Notavam-se-lhe atitudes de branco, o que denotava grande convívio com esta raça, e uma profunda inclinação pelo «whisky» de baixa qualidade que então abundava pelas cidades do «Far-West». Não respondeu a toda aquela «lengalenga». Olhou de soslaio para o taberneiro, e viu-o pálido, a tremer, ansioso de arranjar esconderijo na parte baixa do balcão.
Entretanto, «Abutre Negro», que avançara alguns passos dentro da sala, perguntou:
— Finalmente! Quem és tu? Que queres daqui? Não sabes que não gosto de ver caras estranhas em «Mountain City»!
Larry Jones abriu os lábios num sorriso, que fez admirar o índio, e retorquiu:
— Venho de Denver, «Abutre»! Sou o novo «sheriff» da cidade! Nomeado pelo próprio Governador... e com a missão de te prender.
A estupefação do «pele-vermelha» foi enorme.
— Prender-me… a mim?!
— Sim.
— Ah! Ah! Ah! — O índio desatou às gargalhadas, enquanto os olhos iam endurecendo e criando um brilho criminoso. Lentamente as suas mãos apertaram novamente o arco, e uma delas começou a esticar a corda, onde estava apoiada uma flecha...
Nada disto passou despercebido a Larry. Antes que «Abutre» tivesse tempo de completar o gesto, soou um tiro, e arco e flecha partiram-se nas mãos do renegado. O índio ficou paralisado pela admiração e por dois ou três segundos esteve com a vista cravada nos restos da arma; depois, levantou os olhos e fitou a pistola fumegante que Larry empunhava, sem abandonar a posição primitiva.
Nesse instante, o taberneiro, curioso, levantou a cabeça acima do balcão e espreitou. Teve um «ah!» e deixou-se cair para o mesmo lugar. Era possível que existisse um homem que se atrevesse a enfrentar «Abutre Negro»? E a sua estupefação subiu, quando ouviu Larry dizer:
— Considera-te preso, patife! Acabaram-se 'os teus dias de imposição e terror! Desta vez vais bater com os ossos na prisão, e pagarás por todos os teus crimes!
O índio, que compreendia agora a classe de adversário que tinha de enfrentar, não se precipitou. Apesar de tudo era valente e depressa viu, que na presente situação, um passo que desse, era morte certa. Aquele homem era de boa pontaria e tinha o indicador sobre o gatilho, pronto a disparar. Resolveu, por isso, fugir.
Antes que Larry o suspeitasse, sem se mover em gestos inúteis ou denunciadores, deu um salto para trás, de costas, e caiu sobre os batentes da porta, • que se abriram para o deixarem passar e logo se fecharam com estrondo, impulsionados pelas molas.
Foi este último movimento dos batentes que salvou «Abutre Negro». As balas disparadas simultaneamente pelas pistolas do «cow-boy» cravaram-se na madeira.
Mas Larry não hesitou; de um salto, atravessou a sala, saiu para a rua, a tempo de ver o índio que se afastava a todo o galope, montado num cavalo branco, e desaparecer no caminho da planície. Pouco depois, Larry Jones seguia-o...
 Ao mesmo tempo, o taberneiro corria par rua e depressa se viu rodeado por uma multidão de curiosos. Narrou a chegada do «sheriff», a intromissão do «Abutre» e terminou com uma pergunta, que traduzia bem o pensar de todos os presentes.
— Qual dos dois homens regressaria: Larry Jones ou «Abutre Negro»?
* * *
O cavalo de Larry Jones era melhor, ou estava mais fresco do que aquele que o «pele-vermelha» montava. A todos os segundos ganhava terreno. Assim, os animais aproximavam-se um do outro, encurtando as distâncias.
Larry largou as rédeas, fincou os joelhos nos flancos do cavalo para manter o equilíbrio, e tirou as pistolas. O índio, mais adiante, tomado pela raiva de se sentir quase apanhado, virou-se no dorso do animal, levantou a espingarda que levava presa da rudimentar sela do cavalo e carregou no gatilho. Ouviu-se um «clique» sonoro, bem elucidativo: a arma estava sem balas. O índio proferiu uma praga e bateu com força na garupa da montada. 
O «sheriff», que tinha percebido o que acontecera, voltou a guardar as pistolas, e preparou-se para saltar sobre o adversário. Colocou os cavalos a par, tirou os pés dos estribos, e num mergulho atirou-se sobre o «pele-vermelha».
Os dois homens rolaram pelo solo, durante alguns metros. O primeiro a levantar-se foi «Abutre Negro», o índio renegado. Agiu como uma onça, quis aproveitar esta pequena vantagem e disparou um potente pontapé, que Larry aparou com uma das mãos, para logo levar a outra à perna, obrigar o «pele-vermelha» a saltar sobre si. Pulou, a seguir, para cima dele e agarrando-lhe no ornamento de penas que lhe enfeitava a cabeça, sacudiu-o com violência, para o entontecer.
Depois, puxou-lhe a cabeça para o peito é desferiu-lhe um soco curto, destruidor, nos maxilares, seguido de outro, no nariz. O índio quis reagir, mas um novo soco, desta vez na ponta do queixo, fê-lo exalar um gemido de dor...
* * *
Em frente do «saloon», o taberneiro mantinha-se à frente da multidão. Um silêncio pesado envolvia aqueles homens devorados pela expectativa. Todos os olhos estavam cravados na entrada da cidade.
De súbito, lá longe, dois vultos começaram-se a desenhar nas sombras da noite. Um montado num cavalo, outro atravessado na sela — um vencedor, outro vencido.
Seria Larry Jones ou «Abutre Negro»? A resposta veio dos lábios do taberneiro, que atirando o chapéu ao ar, gritou:
-- Viva o novo «sheriff»!
FIM

quarta-feira, 20 de junho de 2018

CNT012. Dupla traição


ED MULLINS era um desses singulares homens do Oeste que, à custa de hábeis expedientes e de uma conduta moral condenável, ia conseguindo ludibriar os incautos e singrar impunemente na vida.
Percorrendo o País de lés-a-lés, desde o Arizona até ao Alasca, tinha já o seu nome torpemente ligado a negócios obscuros e até a atentados cometidos em várias localidades.
A sua captura impunha-se mas constituía um problema porque agia sempre só, longe de testemunhas e nunca tinha um paradeiro certo, mantendo por prudência o anonimato. Como medida de precaução e porque temia ser caçado pela Lei, certo dia Mullins foi refugiar-se entre os índios Cheyennes, com os quais de há muito se relacionava.
Vivendo por uns tempos oculto nas montanhas estava a coberto de qualquer imprevisto.
(Fonte: Mundo de Aventuras, 2ª série, fascículo 568)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

CNT012. O homem de El Paso

«O homem de El Paso» é uma história assinada por Charles Richard, publicada nos fascículos do Mundo de Aventuras 347 a 350. Trata-se da descrição das atribulações a que um advogado foi sujeito quando se deslocava de diligência com o objetivo de participar no julgamento de alguns facínoras.
A história tem ilustrações em que uma delas é assinada por Carlos Alberto.
Não sonhamos com quem seja este Charles Richard o qual encontrámos em outras histórias embora em pequeno número.
Dada a pouca qualidade da impressão, não foi possível fazer reconhecimento ótico de caracteres pelo que a publicação é feita a partir de uma digitalização dos fascículos do MA.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CNT010. Terras Selvagens

O primeiro conto de Jorge Magalhães foi publicado quando este tinha tinha 20 anos nos fascículos do Mundo de Aventuras 491 a 493. Nele, o autor evidencia uma escrita de qualidade excelente, trazendo-nos a história de um caçador solitário que, quando embriagado pela beleza da paisagem, deparou com um ataque de Pawnees a uma caravana. Aqui deixamos essa preciosidade com ilustrações de Jobat.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

CNT006. O mistério do Vale dos Trovões

O conto que agora apresentamos é da autoria de Edgar Caygill e é ilustrado por Vitor Péon, ambos bem conhecidos dos leitores portugueses das décadas de 50 e 60. O nome do autor é um pseudónimo de Roussada Pinto, um sujeito prolífero capaz de escrever um livro por noite e que foi bem conhecido como contista do Oeste e autor de romances policiais. Quanto a Péon teve um percurso nacional e internacional extremamente rico.
O conto, agora apresentado na íntegra, foi publicado em três números seguidos do Mundo de Aventuras (45, 46 e 47), entre 22 de Junho e 6 de Julho de 1950, num momento em que este jornal juvenil tinha feito uma importante mudança de formato: passou de uma revista gigante para um A4 com mais páginas.
O mistério do Vale dos Trovões ilustra bem as caraterísticas do seu autor: uma história cheia de acção, contada de um fôlego, com modificações surpreendentes no desenrolar, centrada num indivíduo em geral mais esperto que os outros. O conto é apresentado mantendo a estrutura original ostentada no MA.O leitor pode apreciar bem o estilo de Caygill, por vezes pouco rigoroso, e, no final, convidamo-lo a responder às questões seguintes:
Como é que o Corvo sabia que Mr. Peacock e a jovem iam na mala-posta?
Como é que o Corvo sabia que a jovem era filha do mineiro?
Como era possível levantar tanta poeira numa terra tão enlameada por um Inverno rigoroso?
Enfim, se Caygill estivesse entre nós, o que seria um prazer, com certeza encontraria uma boa resposta para estas inconsistências quanto mais não fosse a que se basearia na necessidade de trabalhar em alta velocidade quase sem poder fazer revisão.

domingo, 5 de junho de 2016

CNT005. Os mascarados de Cheyenne


Dois irmãos dedicavam-se a práticas pouco recomendáveis e tentaram aliciar um terceiro para os acompanhar num assalto ao banco. Mas o rapaz não era da mesma têmpera e acabou por ajudar a frustrar os propósitos dos dois maraus. Um rachador de lenha acabou por esclarecer por eram tão diferentes entre si.
Este é um conto de Orlando Marques publicado no fascículo 460 do Mundo de Aventuras. A ilustração que o acompanha não foi identificada.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

CNT003. O espectro da planície


Apresentamos hoje mais um conto de Orlando Marques que teve publicação no Mundo de Aventuras, fascículo 392. A ilustração não está assinada.

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