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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

NOD181. Rio San Juan




Bradley aborda o tema da chegada de colonos ao Novo México e as lutas pela posse da terra daí decorrentes.
A violência, vulgar nestas novelas, foi substituída por uma resolução através de uma corrida de cavalos a que se juntou a trama associada às tentativas dos “maus” para ganhar de maneira suja. Mas o herói tudo descobriu e desmontou tendo como prémio a menina mais bela do povoado ainda por cima filha do rancheiro mais poderoso e a quem um dia convidou para dançar...

Bess aproximou-se sorrindo e estendendo a mão a Dave.

- Que prazer vê-lo por cá, Dave! Vai passar uma noite agradável, verá...
- Eu não podia recusar um convite feito pela jovem mais bonita da região.
- É muito amável, Dave.
Vestia um traje azul, muito ajustado ao corpo, que lhe ia muito bem ao rosto. Dava-lhe um ar distinto e diferente, de tal maneira que Dave se sentiu profundamente perturbado ao vê-la junto de si. O violinista começou a executar uma dança bonita e divertida e logo alguns dos vaqueiros se prepararam para bailar.
-O baile vai começar – disse Bess.
-Posso ter a honra de a convidar para este número? – perguntou Dave.
- Certamente que sim… somos os dois mais jovens dos dois únicos ranchos que há no vale.
Dave enlaçou-a, arrastando-a ao compasso da música e em breve teve ocasião de verificar que Bess era, de facto, uma boa dançarina. E quando um dos seus caracóis perfumados lhe roçou pelas faces, Dave sentiu correr-lhe mais apressado o sangue nas veias e o coração palpitou mais fortemente


Um dos méritos da novela é a quase ausência de tiros só presente perto do final para acabar com o mau perder dos desonestos.
No entanto, ao contrário da ideia que fazíamos do autor, as personagens aparecem-nos caracterizadas de uma forma um tanto descuidada, parecendo por vezes o “herói” ser dotado de poderes que ninguém lhe reconhecia pela descrição precedente. Seria um Bradley ainda imaturo a escrever a novela? (tanto nos agradou em posteriores...!).
A capa, de Bosch Penalva, é uma abordagem perfeita do momento da decisão. Ela apresenta um instantâneo da corrida, sendo facilmente reconhecível o esforço da jovem amazona quase a vencer em momento anterior ao jogo sujo do adversário.


E agora é altura de ler RIO SAN JUAN 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

NOD105. Viajante de passagem


Dois ranchos.
Um pertence a um ex-ladrão que aspira a aumentar as suas terras para ter mais espaço e pastagens para o gado. Outro, nas mãos de uma mulher, depois de o pai ter sofrido misterioso acidente, constantemente sujeito a roubos e ao assédio do vizinho.
Um viajante de passagem. Procurava trabalho e foi contratado pela jovem em dificuldades, embrenhando-se a partir daí numa luta feroz para a apoiar.
Cliff Bradley é o autor desta obra que não merecia os erros de tradução e revisão que ostenta.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

NOD059. O guerrilheiro


Uma visita ao OLX permitiu este contacto tardio com este livro da Coleção Califórnia, «O guerrilheiro», o qual mereceu uma apresentação escrita de modo um tanto estranho à Editorial Ibis:

«COLECÇÃO CALIFÓRNIA—insere um volume que pode ser considerado como especial, pois de um assunto que interessa sobremaneira aos leitores habituais deste género de leitura: a velha questão entre o Norte e o Sul — a velha questão de guerra entre os dois pontos do mesmo país. Desta vez, surgem os guerrilheiros como fulcro de ação, e para além da intensidade dramática nascida da luta entre irmãos — surge um caso de amor, que não tarda a constituir motivo aliciante de interesse dentro da ação. Um livro feito por Cliff Bradley com a acuidade de quem está documentado sobre a história da América do Norte, e possui o sentido psicológico das personagens que põe em movimentação. Um livro que honra a tradição da COLECÇÃO CALIFÓRNIA!»


Resta acrescentar a estas estranhas linhas que a tradução apresenta inúmeras gralhas fazendo com que por vezes a frase soe bastante mal. E mais uma vez as alusões aos negros por parte do senhor Bradley nos parecem um tanto racistas.
Na publicação que aqui deixamos, mantivemos as assinaturas de posse por nos parecerem de interesse.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

NOD050. Noite de terror

Do cimo do monte Taylor, o cavaleiro havia contemplado, naquela manhã, um panorama extraordinariamente maravilhoso. Frondosas colinas que iam declinando para o sul até se fundirem com uma ampla planície de cor acinzentada, pintalgada de grandes manchas verdes, um extensão escura ainda mais longe que se identificava com o horizonte, os picos agrestes dos montes Zuni ao oeste, até ao Arizona, o planalto «Cebola» - uma linha de lados rochosos, irregulares, cor de tijolo – elevando-se sobre as terras planas para o sudoeste, e uma ampla faixa de vegetação, de largura diferente e ziguezagueante, que partia a planície ao meio de Noroeste para Sudoeste. Uma paisagem formosa, especialmente para um homem que vinha das desoladoras imensidades do Noroeste do Novo México e do Sul de Utah.
Sim, mas isso fora pela manhã. Agora, a meio da tarde, o cavaleiro pensava coisas muito diferentes, enquanto contemplava «aquilo».
«Aquilo» era um burrinho morto a tiro, ao lado dos restos de um acampamento saqueado, e dois homens, um deles ainda um rapaz, enforcados sob a copa ampla de um algodoeiro. Eram ambos mexicanos, a julgar pelas suas roupas e, pelos visto, pastores. Dois homens enforcados, um burrito morto, um acampamento saqueado… e até uma dezena de vacas e bezerros, mortos a tiro, sobre ao quais pousara um bando de abutres poucos minutos antes de o cavaleiro ter chegado àquele lugar trágico.
Agora os abutres protestavam, agoirentos, enquanto revoluteavam pelo ar ou permaneciam pousados nas rochas mais próximas. O animal montado pelo cavaleiro desconhecido escarvava o solo, inquieto, e aquele contemplava os cadáveres dos dois pastores com o semblante carregado.~

Aqui deixamos mais uma novela notável de Cliff Bradley, o número 13 da Coleção Arizona. Bradley por vezes tem um discurso extremamente reacionário, mas a sua capacidade narrativa (veja aqui algumas passagens) e criativa é inegável. 

segunda-feira, 30 de março de 2015

NOD023. Alma de pistoleiro

Vance Logan é um pistoleiro, um homem que aluga o seu revólver ao melhor preço para abater o seu semelhante. Não é um vulgar assassino, pois tem a particularidade de desafiar ou provocar as vítimas para um combate com armas iguais.
Ferido num desses combates, Logan é encontrado por Andy Terrel que o trata e perante o qual contrai uma dívida de gratidão.
Terrel cruza-se com a família Danvers, impressionando-se com a jovem e bela Betty a quem protege dos Colton, três irmãos que lhes cobiçam as terras das quais os querem escorraçar. Atraído pela bela Stela Colton, Terrel em breve demonstra a fidelidade aos Danvers, tornando-se em mais um alvo para aquela família de abutres.
Logan acaba por ser contratado pelos Colton, mas ao reencontrar Terrel resolve respeitar a dívida de honra que contraiu perante aquele que o salvou.
Eis uma obra que dá gosto ler e reler.

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