Novelas do Oeste Distante

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quarta-feira, 22 de março de 2017

NOD071. O justiceiro

 
Esta é a história heroica de Jim Brown que lutou contra o próprio patrão quando este quis arruinar o velho Sam para se apossar do seu rancho.
Claro que havia uma menina encantadora pelo meio, mas para saberem tudo é melhor ler este conto em bom tempo publicado no Cavaleiro Andante. Pena esta revista não ter divulgado nomes de autor e desenhador.


O rancheiro Tom Smith não era um patrão cómodo. Os seus cow-boys tremiam quando ele se aproximava, pois o homem entendia que as suas decisões deviam ser sempre executadas à letra e sem demoras. Certo dia chamou Jim Brown, o capataz, e disse-lhe:
— A partir de amanhã, quero que sejam vedados os nossos terrenos que ficam entre o rio e o rancho do velho Sam.
— Mas, patrão, o gado de Sam só tem para beber a água do rio. Se não puder passar, morre de fome.
— Tanto me faz! — replicou Tom Smith. — O Sam que se arranje...
O capataz estava aterrado. Afastou-se sem dizer uma palavra, pois bem sabia que era inútil discutir e que não faria mais do que desencadear a cólera de Tom Smith.
Jim Brown perguntava a si próprio como executaria a ordem recebida, quando, por acaso, encontrou Mary, a encantadora filha do velho Sam.
Os dois jovens experimentavam uma simpatia recíproca e, enquanto conversavam, Jim soube que o pai da rapariga tinha ainda uma prestação a pagar, para entrar definitivamente de posse do rancho. Do contrato fazia parte a licença de passagem livre para o gado ir beber.
E Jim compreendeu as razões da ordem dada pelo patrão. Vedando a passagem, o gado de Sam morreria. Arruinado, o velho Sam ficaria impossibilitado de pagar a última prestação. Tom Smith guardaria o dinheiro anteriormente pago e de novo seria senhor do rancho. Perante tanta velhacaria, Jim revoltou-se. Não! Se fosse preciso, lutaria contra Tom Smith. E havia de o procurar imediatamente! É claro que Smith levou muito a mal a sua recusa de vedar as terras. Mas, quando compreendeu que o capataz lhe adivinhava as intenções, a sua cólera não teve limites e saltou ao pescoço de Jim. Este era, porém, um homem robusto, habituado à vida rude do Far-West, e em breve levava a ' melhor, castigando duramente o desonesto rancheiro.
No dia seguinte, Jim, que regressava da cidade, ia amarrar o seu cavalo à porta do «Saloon» de Dodge City, quando alguém lhe poisou a mão no ombro.
Era o xerife Paterson que, mostrando-lhe na palma da mão uma roseta de espora, perguntou:
— Reconhece isto, Jim?
— Com certeza, xerife! Essa roseta pertence-me, de facto. Onde diabo a encontrou?
— Num sítio onde a não devia ter perdido, porque essa pouca sorte o vai levar à prisão. Encontrei-a no desfiladeiro grande, no sítio do ataque à diligência.
— Mas... afirmo-lhe que...
— Não afirme nada! Segui a pista dos cavalos que me levou direitinha a casa do seu cúmplice, o velho Sam. Já está preso.
— O velho Sam! Mas é uma infâmia! Não há em todo o Oeste homem mais honrado!
— Também eu o julgava, meu rapaz! Mas encontrei os sacos de oiro escondidos na granja dele debaixo da palha.
Minutos depois, Jim encontrava-se preso, sob a guarda da incorruptível Buddy, o ajudante do xerife.
oOo
A noite descia e Jim não dormia. Agora recordava-se da forma como perdera a roseta. Fora na véspera. durante a disputa com o patrão. A bota prendera-se-lhe no pé de uma cadeira, mas ele, no ardor da luta, não ligara importância ao caso.
Era simplesmente vítima — como aliás, o velho Sam — duma infernal maquinação arquitetada por Tom Smith. Conseguiria este levar a bom termo a sua infâmia e apropriar-se do rancho de Sam?
A certa altura, Jim foi arrancado aos seus pensamentos por uma galopada que parou à porta da prisão. Lá de fora alguém chamou:
— Eh! Buddy!
— Quem é? — respondeu o ajudante do xerife, aparecendo no limiar da porta. Em seguida, de pistola em punho, um cavaleiro mascarado surgiu.
Momentos depois, Jim cavalgava para a saída da cidade, ao lado do seu desconhecido salvador.
Uma vez em pleno campo, este deixou então cair a máscara. E, com surpresa, o capataz reconheceu Mary, a filha do velho Sam, que lhe sorria.
— Agora, Jim — disse ela — é preciso agir sem demora, porque, decerto, vamos ser perseguidos. Rapidamente, os dois cavaleiros mergulharam na noite, em direção às terras de Tom Smith.
oOo
Ao nascer o dia, um cow-boy esbaforido chegou a galope ao rancho de Smith.
— Patrão! O nosso rebanho desapareceu...
— Que dizes?
— Digo... digo... Não sei nada ao certo, mas julgo que é golpe da gente do velho Sam. A pista conduz ao rancho dele.
— Eu vou lá! — bradou Tom Smith saltando para o cavalo.
Seguindo a pista, em breve os dois cavaleiros chegavam à dupla linha de arames que separava os terrenos de Smith dos de Sam.
— Mas o gado misturado ao de Sam é o meu! Façamos saltar o arame e vamos buscar as rezes!
No momento em que o cow-boy avançava com um alicate na mão. um tiro fez-lhe voar o chapéu.
— Mãos ao ar, rapaz! E o senhor também, Mr. Smith! — disse Jim. aparecendo. — Todas as vossas rezes estão com efeito aqui, sem faltar uma. Estão apenas misturadas com as de Mr. Sam.
— Mas aqui estão privadas de água e isso pode custar-me dezenas de cabeças. É preciso abrir a vedação!
— Também sou da mesma opinião. caro Mr. Smith. Mas, se for aberta. será para sempre... ou não o será nunca.
O terrível rancheiro hesitou um segundo, olhou Jim que brincava negligentemente com as pistolas e. virando as costas, voltou para o seu rancho, com o cow-boy que o acompanhava. Nessa mesma noite, sem mais explicações, o velho Sam foi posto em liberdade e, ao regressar às suas terras, viu que a vedação tinha desaparecido e que o seu gado tinha passagem livre para o rio. Depois de se tornar capataz do velho rancheiro, Jim Brown tomou o lugar de seu genro. Quanto ao ataque à diligência, foi assunto em que nunca mais se falou.
FIM

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